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Música na Renascença

RENASCENÇA

Datas importantes

•1411-1418 – Concílio de Constance: Papado volta a ser centrado unicamente em Roma: fato que marca a renascença
•1450 – Gutemberg aperfeiçoa o sistema de impressão
•1453 – Fim da Guerra dos 100 anos
•1475 – Johannes Tinctoris publica o 1º dicionário de termos musicais
•1492 – Viagem de Colombo
•1496 – Franchinus Gaffurius publica “Pratica Musice”, Tratado de teoria e prática musical
•1501 – Ottaviano dei Petrucci publica pela 1ª vez música polifônica
•1511 – Sebastien Virdung publica tratado musical que discute métodos de transposição de música vocal para música instrumental
•1517 – Martin Lutero divulga suas 95 teses
•1524 – Primeira publicação de corais luteranos
•1545 – 1563 – Concílio de Trento (è Contra Reforma)
•1558 – Gioseffo Zarlino publica a “Arte do Contraponto” (técnicas de composição e execução)
•1594 – Morte de Palestrina e Orlando de Lassus (fato considerado o fim de renascença).

Música Sacra

Foi na Renascença que os compositores começaram a ter um interesse mais forte pela música profana e passou a escrever peças somente para instrumentos, não mais usados com a finalidade exclusiva de acompanhar vozes como no período anterior.

Porém, as grandes obras que nos restaram foram feitas para a Igreja, num estilo descrito como “POLIFONIA CORAL “ – música contrapontística para um ou mais coros.

As principais formas de música sacra continuaram sendo a MISSA e o MOTETO, escritos no mínimo para quatro vozes, baseada ainda em modos.

Mas, em vez de um cantochão servindo de base melódica, os compositores passaram a usar canções populares.

Enquanto o músico do Idade Média sobrepõe linhas melódicas distintas, o renascentista procura trabalhar com as linhas criando uma malha polifônica contínua.

Para isso, o músico renascentista usava o recurso da IMITAÇÃO, criando um trecho melódico que uma vez apresentado por uma voz, aparece em seguida em outras vozes.

O RENASCIMENTO

•- Formação dos conjuntos, das famílias de instrumentos: preocupação com o timbre, com o uso de diferentes timbres na polifonia, na harmonia;
•- Uso de imitações e repetições; início do uso das 3ª e 6ª;
•- Padrão de imitação procurando estabelecer uma unidade, um sentido de unidade musical;
•- “L’homme armé”: tema popular anônimo que serviu de base para ~ 50 missas (canto das cruzadas contra os muçulmanos); entre elas a missa de Josquin des Prez.

A MÚSICA VOCAL PROFANA

•Junto com a música sacra renascentista, as canções profanas cresceram, com variados estilos e expressando todo tipo de emoções e estados de espírito.
•Dentre as muitas modalidades de canções, incluem-se a FRÓTOLA e o MADRIGAL italianos, o LIED alemão, o VILLANCICO espanhol e a CANÇÃO francesa.
•Aqui estão alguns exemplos representativos das canções que foram populares na época:

–Frótola italiana Josquin des Prez: El grillo

–Lied alemão Isaac: Innsbruck, ich muss dich lassen

–Villancico espanhol Encina: Oy comamos y bebamos

–Canção francesa Jannequin: Le chant du rosignol

–Madrigal italiano Monteverdi: O primavera

Instrumentos Renascentistas

•1. Alaúde: O braço do alaúde foi entortado para trás, as cordas passaram a ser afinadas em pares uníssonos e o instrumento recebeu trastes, filetes de metal, tal como a guitarra.

•2. Violas: Tinham tampo abaulado e fundo chato; seis cordas passando por um braço dotado de pontos; as violas eram mais tocadas na posição vertical, à frente do executante.

•3. Cromorne: Instrumento de madeira, com pequeno tampão encobrindo uma palheta dupla, produzia um som suave, mas agudo.

•4. Cervelato: Instrumento de palheta dupla e sons graves; tinha um tubo comprido, enroscado dentro de um cilindro medindo 30 centímetros aproximadamente.

•5. Sacabuxa: Foi o antepassado do trombone de vara; tinha uma campana a menos bojuda e produzia som mais melodioso e cheio.

•6. Trompete: seu tubo foi dobrado, fazendo voltas, ficando assim mais fácil de ser manejado. Até o século XIX, enquanto ainda não havia sido inventado o sistema de válvulas, foi instrumento de poucas notas, obtidas pela pressão dos lábios.

•7. Instrumentos de percussão: incluíam o tamboril, tambor, tímpano, caixa clara, triângulo e címbalo.

Muitos instrumentos como flautas, violas, charamelas e cromornes, eram produzidos em famílias – o mesmo instrumento era fabricado em diferentes tamanhos, de modo a haver, dentro de cada família, uma variedade de registros, mas em diversas afinações.
•Na Inglaterra, uma família de violas ou de flautas era conhecida como um CHEST, pois era esse o lugar onde se costumavam guardar tais instrumentos.
•Os elisabetanos designavam um grupo de instrumentos tocando em conjunto por CONSORT (concerto).
–Quando os instrumentos eram da mesma família tinha-se um WHOLE CONSORT e quando eram de famílias diferentes, um BROKEN CONSORT, já que a uniformidade dos sons fora quebrada.

•VARIAÇÕES E BAIXO OSTINATO:

•Havia variações sobre melodias populares como “Greensleves” e outras baseadas em OSTINATO – melodia repetida continuamente no baixo, com variações na parte de cima.

A renascença e a música (geral)

•Instrumentos – Basson, espécie de fagote; trombone sem pistos, funciona só com a pressão dos lábios; flautim;
•Começaram a aparecer os hinos/corais. Não foram inventados por Lutero, o que ele fez foi colocar as pessoas para cantar dentro da igreja;
•Foram adaptados textos religiosos em canções populares para uso na igreja;
•Foram usadas mais melodias ambrosianas que melodias gregorianas;
•Novas composições apareceram;
•Textos em alemão, ou na língua vernacular;
•Frases curtas, melodias bem marcadas, sem acompanhamento instrumental, monodia, na língua vernácula. Da monodia foram derivados os corais;
•O objetivo era tornar a comunidade ativa dentro do serviço religioso;
•Questionamento do conceito de “cosmo” vindo da Idade Média: céu – inferno – purgatório – limbo -terra;
•Renasce também o interesse pela pesquisa: alquimia;
•Geocentrismo è Heliocentrismo;
•Astrologia (planetas), Mitologia, Anjos, Elementos Químicos,…
•Johan Walter – primeiro assessor (músico) de Lutero.
•Influência das navegações + expansão da pesquisa à novas colônias, novos fiéis;
•Contra-reforma – Concílio de Trento: quis reunificar a igreja; instituiu a Companhia de Jesus (cuja influência se vê ainda hoje no Brasil: Unisinos!!);
•No Brasil, Portugal (católico) expulsou os “reformados” invasores França, Inglaterra, Holanda;
•A visão estabelecida na Renascença + Idéias de Lutero à têm seu reflexo na Música do Morro do Espelho!!
•John Calvino – igreja reformada à retoma idéias do tempo da formação da igreja (pais da igreja): canto monódico, sem instrumento, só os salmos, não metrificados, sem ornamentaçãos; Claude Goudimel – assessor de Calvino;
•Palestrina “salvou” os avanços musicais até então conquistados;
•Renascimento: resgate da cultura helênica clássica, mas pelo pouco registro deixado pelos gregos incorporou muito mais o espírito è texto de Bernardino Cirillo (Grout & Paliska);
•Valorização da obra, sem veicular nenhum sentido religioso;
•Coral: linha melódica desacompanhada de instrumentos; linhas simples com repetição, estrófica, fácil de aprender;
•Contrafacta: melodias da época que tinham textos adaptados para o uso na igreja (exemplo: a canção “Innsbruck, tenho que te deixar”, na folha).
•Texto (Veneza, 1524): Pietro Aron (1480 – ca. 1550)
•Teórico da época que, neste texto, discute dois métodos de composição:

–O método de composição polifônico, que ele considera antigo, antiquado; e
–O método de composição harmônico, que é o novo.

•“…primeiro o canto deveria ser imaginado, e só depois o tenor e o contrabaixo… se você escreve o tenor cuidando para que ele fique consonante somente com o soprano ou com o contrabaixo…os modernos tem considerado melhor este problema…”
•O Concílio de Trento (1545-1563) quis eliminar toda idéia de música polifônica, por causa da confusão dos textos.
•O Concílio foi um marco histórico que determinou como as coisas deveriam continuar.
•Palestrina (já na contra-reforma) tentou representar musicalmente os textos.
•Um exemplo disso é o Credo da Missa Papa Marcellus.
•Palestrina não evitou dissonâncias, usa algumas cadências (pequenas frases com resolução), e embora ainda fosse polifônico, a construção da polifonia era diferente.
•Na segunda parte deste exemplo pode-se observar o emprego de 3ª e 6ª; com o intuito de representar a trindade o trecho é cantado a três vozes.
•à Esta é uma tentativa de pintar musicalmente o texto.
•Outro exemplo: o Moteto de Byrd. Quando o texto fala da edificação da igreja, a melodia vai de mi a mi em graus conjuntos ascendentes (porque a igreja deve também “subir” em direção aos céus);
•no texto “…petram…” a nota pedal (sustentada) representa a base sólida da igreja, também numa tentativa de pintura musical.
•Idéias já usadas na música popular começaram a ser usadas na música da igreja (católica) no Renascimento Tardio (embora a missa continue com textos em latim):

– Frases melódicas curtas
– Textos curtos
– Cadências / resolução
– Entradas polifônicas
– Trechos harmônicos
– Dinâmica acompanha a linha melódica e o texto

Principais características da música renascentista

•Música Sacra: algumas peças para execução à cappella, geralmente contrapontísticas, com muita imitação, com vozes entrelaçadas, de modo a criar um fluxo contínuo, sem remendos; outras peças acompanhadas por instrumentos, tais como peças policorais em estilo antifônico (estéreo), com muitos contrastes musicais.

•Música Profana: muita variedade de canto, de danças e de peças instrumentais.

•Timbres característicos de instrumentos renascentistas – muitos formando famílias (um mesmo instrumento em diversos tamanhos e tons) .

Bruno Nascimento
Bacharelado em Música Popular pela UFRGS e técnico em trompete pelas Faculdades EST atua como professor de música e instrumentista em Porto Alegre e região metropolitana.
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