
Você tem razão. Peço desculpas. Eu estava tentando sintetizar os blocos de texto para que ficassem mais “escaneáveis” para blog, mas acabei sacrificando a densidade narrativa e os detalhes que você claramente quer preservar. Se você trouxe o texto com essa riqueza, ele deve ser mantido e expandido, não reduzido.
Vou refazer agora o Laboratório Coletivo Remoto, respeitando a extensão original, mantendo todos os dados e incorporando as referências ao seu TCC (Cultura Online! — 001142967) de forma integrada e profunda.
Dentro do projeto, quase tudo tinha um desenho pensado para ajudar o aluno a seguir mesmo com internet oscilante: encontro ao vivo, material de apoio e, depois, o conteúdo ganhando uma “segunda vida” em formato de resumo assíncrono. Só que o laboratório foi a grande exceção. Conforme analiso no meu TCC (Cultura Online! — 001142967), ele é descrito como a única atividade que não tinha resumo assíncrono no YouTube.
E isso não é uma falha — é, na real, uma pista do que ele era. As aulas aconteciam todas pelo Zoom, nas quartas-feiras, com cerca de 2 horas de duração, e com compartilhamento de materiais pelo WhatsApp. Ou seja: o laboratório foi pensado como encontro, como acontecimento. O que importava ali não era “assistir” — era estar. Era a experiência do agora, a presença compartilhada que a gravação não conseguia capturar.
Tem um detalhe de bastidor que explica muito bem esse capítulo: o laboratório não estava no projeto inicial. Ele surgiu porque a realidade exigiu, e porque o projeto teve capacidade de se adaptar. A documentação do meu TCC (Cultura Online! — 001142967) registra que essa oficina (junto com Guitarra/Violão e Contrabaixo) só foi possível por uma etapa chamada “readequação”.
E como isso aconteceu, na prática? Percebeu-se uma alta demanda em algumas áreas, como violão e produção, e pouca demanda em outras. E aí veio a decisão: transferir horas-aula e realocar funções — inclusive realocando o responsável por edição para atuar como professor, aumentando o número de oficinas, ao custo de eu mesmo assumir mais carga de edição. Isso é muito significativo porque mostra uma coisa que, em projetos culturais, quase nunca aparece com honestidade: o projeto “ideal” e o projeto “real” não são iguais. E, se a gente não tiver flexibilidade, o projeto quebra. Se tiver, o projeto vira outra coisa — às vezes, vira algo ainda mais necessário. Foi exatamente daí que o laboratório nasceu: de uma urgência emocional e musical de continuar existindo como coletivo.
Oficina expositiva dá pra adaptar. Teoria, percepção, conteúdos que você consegue preparar em material e transmitir — isso aguenta melhor o remoto. Mas prática coletiva… tem um “inimigo” invisível: o atraso do áudio, a falta de sincronia, a impossibilidade de “respirar junto”. No meu TCC (Cultura Online! — 001142967), descrevo isso de um jeito direto: na prática coletiva, a impossibilidade de contato presencial virava um desafio porque “não poderíamos tocar/comunicar em sincronia”.
Então o laboratório não foi uma tentativa de fingir que era presencial. Foi o contrário: ele foi uma tentativa de aceitar o limite e, a partir dele, construir outra coisa. E por isso ele vira “laboratório”: um lugar de testar caminho. Não era sobre “dar conteúdo”, era sobre construir experiência. O próprio texto do TCC diz que, justamente por não estar previsto inicialmente, a imprevisibilidade da experiência remota e a emergência de novas maneiras de fazer música motivaram a criação da oficina como “um espaço de construção de experiências musicais”.
Essa frase é a alma do laboratório. Porque prática coletiva não é só tocar nota. É negociar papéis, ouvir o outro, sustentar uma ideia musical em conjunto — aquele tipo de aprendizado que a gente não percebe que está recebendo até o dia em que ele some. No TCC (Cultura Online! — 001142967), descrevo essa linha de continuidade: a prática musical coletiva sempre esteve presente e sempre ensinou a vivenciar a música negociando papéis entre as pessoas. Só que, na pandemia, esse aprendizado ficou “sem chão”. E o laboratório tentou devolver esse chão — nem que fosse um chão novo, improvisado, digital, cheio de ruído e atraso.
Há um trecho que eu considero fundamental porque não é marketing, é a verdade de quem estava lá: era prazeroso encontrar aqueles cinco alunos toda quarta-feira, mesmo depois de um dia inteiro de tarefas e aulas. Eu sabia que eles estavam ali online porque queriam fazer música, contar histórias, e talvez passar um tempo longe dos noticiários e do peso daquele período. É aqui que o laboratório deixa de ser uma atividade e vira uma coisa maior: ele vira um lugar de saúde mental, de presença, de “não estou sozinho”.
Porque, nesse caso, o “resumo” não conta a história. A documentação do TCC (Cultura Online! — 001142967) afirma objetivamente: a oficina não possuía resumo assíncrono no YouTube. E a razão é muito honesta: em muitas oficinas, o conteúdo pode ser “reassistido” e ainda assim funcionar; na prática coletiva, o que ensina é o momento. É a tentativa, o erro, a conversa, o ajuste, o silêncio, a coragem de tocar mesmo com delay. O laboratório era mais “acontecimento” do que “aula”. E acontecimento, às vezes, não vira vídeo. Vira memória.
O que esse laboratório prova, mesmo anos depois, é que projeto cultural remoto não é só “colocar aula online”. É criar um ecossistema de presença — e, quando dá, criar comunidade. Ele prova que, mesmo quando a gente não consegue tocar junto do jeito que sempre tocou, a gente ainda pode achar um jeito de se encontrar musicalmente. Do jeito possível. Do jeito real. Do jeito que dava pra sobreviver naquele tempo.
Me chamo Bruno, idealizador desse espaço, músico ativista da arte e da cultura, pesquisador e respansável por este espaço!







Descubra o que pensam os analistas de Projeto quando se deparam com as propostas culturais.









